quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Construa você também a sua Telecaster

Antes mesmo que se complete um ano desde o início da empreitada estou finalizando a montagem da minha Telecaster/Parts/Strato.

A Telecaster gera fascínio nos guitarristas. Não que outros modelos não sejam imensamente desejados, as "Tele", não obstante, carregam um sentimento único, algo entre um velho tocador de Blues e um surrado roqueiro dos anos 60 e 70.

O corpo das Telecaster (tradicionalmente em Ash ou Alder) possui linhas retas e minimalistas, combinando  com o espírito do "faça você mesmo".

Assim, há quase um ano atrás, iniciava o projeto. Confiram os links:

http://osvelvetes.blogspot.com.br/2012/02/todo-mundo-constroi-uma-telecaster.html

http://forum.cifraclub.com.br/forum/3/280303/

Hoje, compreendo melhor o desejo de criação da guitarra. Construir algo com suas próprias mãos, traduzindo às peças a imperfeição dos movimentos incipientes e a ansiedade em busca do resultado é algo divino. Tenho certeza que polpei, no mínimo, um ano de psicoterapia!

Além disso, obviamente, esperava uma guitarra honesta, personalizada e a cara do rock and roll. Não demorou muito, após os primeiros acordes, para sentir na "menininha" toda sua vibe idiossincrática. É claro que não estou falando da Fender Telecaster (nem arrisquem comparar o acabamento, por exemplo) ou do som estalado e brilhante que a dupla Ash/Alder proporciona às guitarras confecionadas com suas madeiras. A minha guitarra foi construída com todas as limitações e imperfeições que estavam disponíveis e por isso a considero muito boa.

Afinal, quem imaginaria que um velho pedaço de Cedro, desses jogados aos cantos das antigas fazendas de Minas Gerais, faria a minha alegria?


Infelizmente não estava lá para ver a cara espantada do artesão ao saber da encomenda. No mais, o trabalho ficou dentro do esperado odecendo até mesmo as imperfeições do gabarito/molde que eu havia feito e enviado à ele.



Com o tempo, as peças foram chegando e tomando o seu lugar. Nessa época, o desafio era encontrar um luthier (ou quase isso) que confeccionasse as cavidades dos controles, dos captadores e do braço.


Já que demorou para aparecer alguém que fizesse o serviço arrisquei na pintura da peça.



Após quase seis meses de projeto, finalmente as cavidades foram feitas. Tudo bem que houve uma tremenda barberagem da parte do "cara" (visto que nunca mais o chamarei de luthier). O "cidadão" errou o posicionamento da ponte e, consequentemente, aumentou o tamanho da cavidade do captador da ponte. Pois bem, melhor nem mostrar o estrago...
PS: Nada que eu não pudesse resolver imperfeitamente e grosseiramente.


O desejo era um acabamento honeyburst. Após a primeira demão de seladora, entretanto, os corantes misturaram-se.


No tróculo, um agradecimento especial à quem sempre apoio o projeto desde o início!



Após a instalação das cordas, ainda com o escudo provisório.
 

Aqui um videozinho com o captador da ponte ainda sem os pinos de AlNiCo:


O escudo não havia sido fixado - não tinha certeza entre o branco e o preto - por isso deixei o molde para ver como ficaria no vídeo.

Após a última mão de acabamento na parte traseira, pois eu desejava um melhor alinhamento dos ferrules e esconder os enxertos dos buracos antigos (lembra-se do estrago que o quase-luthier fez?).


O visual final da guitarra! Gostei muito do contraste entre o escudo preto e o captador do braço branco envelhecido. Devido ao posicionamento anômolo da cavidade dos controles tive que fazer um escudo personalisado. A saída foi usar placas de informações. A proxima vez que for ao banheiro de um bar e vir aquele bonequinho do gênero lembre-se que ele pode ser multiplamente útilizado.


Ontem medi a resistência dos captadores estando ambos próximos de 8,5K. Resta colocar os pinos de AlNiCo no captador do braço e comprar cordas.

Os custos do projeto se assemelham à uma dessas guitarras medianas que se encontram no mercado. Vale destacar que, na parte do acabamento final, gastei uns R$100 com  lixas, álcool absoluto, anilina e outras coisas devido aos erros de execução e suas devidas correções. Além disso, após a colocação das cordas, descobri que o braço precisava de uma retifica de trastes (já realizada). Mas isso é história para outra postagem.