sábado, 22 de setembro de 2012

Stagg R500 GBK

A vida é feita de oportunidades. Estar aberto à elas é fundamental para a construção do futuro. Afinal, somente o tempo para avaliar nossas escolhas.

No cenário guitarrístico transcendental de minha vida não poderia deixar de falar sobre Carlos Santana. Há mais de dez anos atrás, boquiaberto com as frases cantantes dos seus arranjos, com a singularidade de seu timbre e, sobretudo, com a beleza de suas guitarras, iniciei meus primeiros acordes.

Naquela época, eu andava na fase do "quanto mais rápido melhor" e/ou "quanto mais difícil melhor". Vencido os preconceitos da adolescência, pude perceber que o importante é a musicalidade e não (necessariamente) o virtuosismo que despejamos nas seis cordas.

Já li por aí que Santana teria dito que um solo bonito (e elegante) é capaz de levar as garotas para o camarim. Um fritador, esbanjando seus ligados e arpejos, não obstante, deixaria apenas os marmanjos empolgados.

Deixando o momento "técnica Vs. feeling" de lado, aproveito para contar a história da Stagg R 500 GBK. Para isso, retorno a meados de 2008 quando, após ter trocado um baixo Condor BC 5000 por um violão flat Fox, estava à procura da minha segunda guitarra. Até que o violão era bem bacana, mas não me atendia no momento (creio que se deva ao fato de ter passado tempo demais com violões antes da primeira guitarra). Logo, não demorou para que eu encontrasse uma boa oportunidade de nova troca:


As especificações do site:
 - Pickups: 2 x Humbucker
- Controls: 1 x Volume + 1 x Tone
- Pickup Selector Switch: 3-way
- Top: Low Archtop
- Body: Solid Alder
- Neck: Hard Maple set neck, 636 mm, (25 in.)
- Fingerboard: Rosewood, 24 frets
- Bridge: Classic "S" Style Tremolo
- Machine heads: Diecast, nickel
- Color: Gothic Black

Na época, eu sabia que o Alder era uma boa madeira e que o braço colado traria vantagens em relação ao sustain. O que chamava atenção mesmo, a despeito do hardware escuro (gótico), era a guitarra lembrar (uma cópia do modelo, melhor dizendo) as PRS. Na pior das hipóteses, um ou outro upgrade salvaria o investimento.


Tendo a guitarra nas mãos achei o acabamento bem feito (nada demais pelo preço), o hardware honesto, e as madeiras com boa sonoridade. Braço gordo (nunca toquei numa PRS pra saber, mas imagino que as "Les Paul style" sejam todas assim) e ação das cordas um pouco alta. A única grande resalva ficava em torno dos captadores: timbre escuro/embolado, principalmente devido a posição do captador do braço.

Após alguns meses no limbo, resolvi iniciar os upgrades. Inicialmente troquei os imãs cerâmicos originais dos captadores por AlNiCo 2 (braço) e AlNiCo 5 (ponte), ambos da Malagoli. A mudança sonora foi considerável: um agudo cremoso e articulado foi adicionado ao bridge pickup. Além disso, o som do captador do braço ficou menos abafado e embolado.

Pensando no aproveitamento do sustain, encomendei um bloco gordo da Guitar Fetish para o tremolo. A opção do material de aço se deveu ao preço. Por fim, pensando na estética, troquei os pickguards e chave seletora por versões cremes e knobs dourados, atingindo um bonito visual café-com-creme.


Cheguei a comprar um captador P90 da Kent Armstrong para colocá-lo no braço. A ideia era "abrir" mais o timbre nessa ingrata posição de uma guitarra de 24 trastes. Semanas depois, desisti do plano visto que a cavidade do humbucker era visivilmente maior. Assim, inverti o posicionamento do captador AlNico II que lá estava na esperança de melhorar alguma coisa a clareza das notas. Conclusão: não senti grandes diferenças.

Finalizando, pus cordas .11 no lugar das .10 que costumava usar. Assim, consegui melhora da ação - imagino que a tensão maior acomodou o braço de alguma forma que contribuiu pra isso - embora esta ainda esteja um pouco alta nas última casas (se o braço fosse parafusado já teria colocado um calço e nem mexeria no tensor).

Breve um video bacana!!! 

*ADENDO 12/11/2012:

 Após tentar inverter os imãs dos captadores (AlNiCo 2 na ponte e AlNiCo 5 no braço) sem sucesso em ambos, não resisti a curiosidade de instalar o P90 no braço.

Estava cansado dos timbres embolados do Humbucker depois do vigésimo quarto traste. Assim, meio que no tudo ou nada, aumentei a cavidade que havia e soldei o captador no circuito. Estando o serviço um pouco (muito) grosseiro, com o tempo eu penso num melhor acabamento paro o trabalho. O importante é que o resultado sonoro foi excelente. Digo isso tanto pela definição e brilho que eu não tinha quanto pelo timbre idiossincrático que P90 proporcionam.

Agora posso dizer também que o captador da ponte (novamente com AlNiCo 5) não tem um timbre tão ruim assim. Tudo bem que ele ainda está magrinho, porém até combina com o P90.  Por fim, sigo aberto a possibilidade de um novo captador para a posição. Penso no estilo dos "PAF", mas com um pouquinho mais de corpo e menos agudos.

Fotos!!!

  
































*ADENDO 15/02/2013:

Finalizei a saga do captador da ponte da seguinte forma: comprei um bom captador cerâmico de baixo ganho e substitui o imã pelo de AlNiCo 5. Por fim, consegui um som gordo e crocante bem próximosdaquilo que procurava e talvez perto do máximo que a guitarra pode oferecer.

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