quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Construa você também a sua Telecaster

Antes mesmo que se complete um ano desde o início da empreitada estou finalizando a montagem da minha Telecaster/Parts/Strato.

A Telecaster gera fascínio nos guitarristas. Não que outros modelos não sejam imensamente desejados, as "Tele", não obstante, carregam um sentimento único, algo entre um velho tocador de Blues e um surrado roqueiro dos anos 60 e 70.

O corpo das Telecaster (tradicionalmente em Ash ou Alder) possui linhas retas e minimalistas, combinando  com o espírito do "faça você mesmo".

Assim, há quase um ano atrás, iniciava o projeto. Confiram os links:

http://osvelvetes.blogspot.com.br/2012/02/todo-mundo-constroi-uma-telecaster.html

http://forum.cifraclub.com.br/forum/3/280303/

Hoje, compreendo melhor o desejo de criação da guitarra. Construir algo com suas próprias mãos, traduzindo às peças a imperfeição dos movimentos incipientes e a ansiedade em busca do resultado é algo divino. Tenho certeza que polpei, no mínimo, um ano de psicoterapia!

Além disso, obviamente, esperava uma guitarra honesta, personalizada e a cara do rock and roll. Não demorou muito, após os primeiros acordes, para sentir na "menininha" toda sua vibe idiossincrática. É claro que não estou falando da Fender Telecaster (nem arrisquem comparar o acabamento, por exemplo) ou do som estalado e brilhante que a dupla Ash/Alder proporciona às guitarras confecionadas com suas madeiras. A minha guitarra foi construída com todas as limitações e imperfeições que estavam disponíveis e por isso a considero muito boa.

Afinal, quem imaginaria que um velho pedaço de Cedro, desses jogados aos cantos das antigas fazendas de Minas Gerais, faria a minha alegria?


Infelizmente não estava lá para ver a cara espantada do artesão ao saber da encomenda. No mais, o trabalho ficou dentro do esperado odecendo até mesmo as imperfeições do gabarito/molde que eu havia feito e enviado à ele.



Com o tempo, as peças foram chegando e tomando o seu lugar. Nessa época, o desafio era encontrar um luthier (ou quase isso) que confeccionasse as cavidades dos controles, dos captadores e do braço.


Já que demorou para aparecer alguém que fizesse o serviço arrisquei na pintura da peça.



Após quase seis meses de projeto, finalmente as cavidades foram feitas. Tudo bem que houve uma tremenda barberagem da parte do "cara" (visto que nunca mais o chamarei de luthier). O "cidadão" errou o posicionamento da ponte e, consequentemente, aumentou o tamanho da cavidade do captador da ponte. Pois bem, melhor nem mostrar o estrago...
PS: Nada que eu não pudesse resolver imperfeitamente e grosseiramente.


O desejo era um acabamento honeyburst. Após a primeira demão de seladora, entretanto, os corantes misturaram-se.


No tróculo, um agradecimento especial à quem sempre apoio o projeto desde o início!



Após a instalação das cordas, ainda com o escudo provisório.
 

Aqui um videozinho com o captador da ponte ainda sem os pinos de AlNiCo:


O escudo não havia sido fixado - não tinha certeza entre o branco e o preto - por isso deixei o molde para ver como ficaria no vídeo.

Após a última mão de acabamento na parte traseira, pois eu desejava um melhor alinhamento dos ferrules e esconder os enxertos dos buracos antigos (lembra-se do estrago que o quase-luthier fez?).


O visual final da guitarra! Gostei muito do contraste entre o escudo preto e o captador do braço branco envelhecido. Devido ao posicionamento anômolo da cavidade dos controles tive que fazer um escudo personalisado. A saída foi usar placas de informações. A proxima vez que for ao banheiro de um bar e vir aquele bonequinho do gênero lembre-se que ele pode ser multiplamente útilizado.


Ontem medi a resistência dos captadores estando ambos próximos de 8,5K. Resta colocar os pinos de AlNiCo no captador do braço e comprar cordas.

Os custos do projeto se assemelham à uma dessas guitarras medianas que se encontram no mercado. Vale destacar que, na parte do acabamento final, gastei uns R$100 com  lixas, álcool absoluto, anilina e outras coisas devido aos erros de execução e suas devidas correções. Além disso, após a colocação das cordas, descobri que o braço precisava de uma retifica de trastes (já realizada). Mas isso é história para outra postagem.
 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Pedalboard 2012: em busca dos timbres nostálgicos

Segue a evolução do Pedalboard neste ano. Um bom e velho pedal saiu de cena e outro passou brevemente sem deixar muita saudade. As configurações sofreram pequenas variações, principalmente nos pedais que entrarm recentemente no set up.

Por fim, destaco o espaço reservado para um afinador (finalmente!) que está à caminho, além da mudança de posição do Foxx Tone Machine by Gritto. Inicialmente insisti neste após o Cry Baby, havendo, ocasionalmente, perda de volume e anulação do efeito do wah wah (seria isso a tal "impedância" dos fuzzes antigos?). Sendo agora o primeiro pedal da cadeia, o efeito tem funcionado sem ressalvas.

Janeiro de 2012
Jim Dunlop Cry Baby, Axcess Fuzz, Boss Blues Drive, Digitech Bad Monkey, Axcess Overdrive e Danelectro Dan Echo . 
Entraram: Danelectro Dan Echo e Axcess Fuzz.
Sairam: Vintage Phaser Behringer, Vintage Tube Overdrive Behringer e Axcess Phaser.

Março de 2012
Jim Dunlop Cry Baby, Axcess Fuzz, Boss Blues Drive, Digitech Stereo Flanger, Digitech Bad Monkey, Axcess Overdrive e Danelectro Dan Echo . 
Entrou: Digitech Stereo Flanger.

Maio de 2012
Jim Dunlop Cry Baby, Fuhrmann Vib&Vibe, Axcess Fuzz, Boss Blues Drive, Digitech Bad Monkey, Axcess Overdrive e Danelectro Dan Echo . 
Entrou: Fuhrmann Vib&Vibe.
Saiu: Digitech Stereo Flanger.

Setembro de 2012
Jim Dunlop Cry Baby, Fuhrmann Vib&Vibe, Foxx Tone Machine by Gritto, Axcess Fuzz, Boss Blues Drive, Digitech Bad Monkey e Danelectro Dan Echo . 
Entrou: Foxx Tone Machine by Gritto.
Saiu: Axcess Overdrive.

Setembro de 2012
Jim Dunlop Cry Baby, Fuhrmann Vib&Vibe, Foxx Tone Machine by Gritto, Axcess Fuzz, Boss Blues Drive, Fuhrmann Hot Rod, Digitech Bad Monkey e Danelectro Dan Echo . 
Entrou: Fuhrmann Hot Rod.


Novembro de 2012
Foxx Tone Machine by Gritto, Jim Dunlop Cry Baby, Fuhrmann Vib&Vibe, Axcess Fuzz, Boss Blues Drive, Fuhrmann Hot Rod, Digitech Bad Monkey e Danelectro Dan Echo . 



Novembro de 2012
Foxx Tone Machine by Gritto, Fender PT-10, Jim Dunlop Cry Baby, Fuhrmann Vib&Vibe, Axcess Fuzz, Boss Blues Drive, Fuhrmann Hot Rod, Digitech Bad Monkey e Danelectro Dan Echo . 
 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Celebration Day

Trinta e dois anos após o fim da banda, cinco anos desde a última apresentação e 13 dias após o lançamento mundial do filme, eu finalmente assisti ao Led Zeppelin "ao vivo".

Empolgante, irresistível, surpreendente, extasiante, e muitos outros "ante's" não serão capazes de descrever a catarse instalada com a apresentação exibida nas salas de cinema do país. O show, originalmente ocorrido em 10 de dezembro de 2007, resgatou o que o Led tinha de melhor. A exceção óbvia, ficou pela ausência do incrível homem das quatro baquetas, John Bonham, substituído por seu filho, um Jason Bonham bastante inspirado e emocionado.

Para os que não poderam prestigiar um show do quarteto durante o final dos anos 60 e toda a década de 70, ou para aqueles que nem eram nascido na época - e aqui me encontro - vale a oportunidade de cantar, em uníssono, os inesquecíveis sucessos da banda.

sábado, 22 de setembro de 2012

Stagg R500 GBK

A vida é feita de oportunidades. Estar aberto à elas é fundamental para a construção do futuro. Afinal, somente o tempo para avaliar nossas escolhas.

No cenário guitarrístico transcendental de minha vida não poderia deixar de falar sobre Carlos Santana. Há mais de dez anos atrás, boquiaberto com as frases cantantes dos seus arranjos, com a singularidade de seu timbre e, sobretudo, com a beleza de suas guitarras, iniciei meus primeiros acordes.

Naquela época, eu andava na fase do "quanto mais rápido melhor" e/ou "quanto mais difícil melhor". Vencido os preconceitos da adolescência, pude perceber que o importante é a musicalidade e não (necessariamente) o virtuosismo que despejamos nas seis cordas.

Já li por aí que Santana teria dito que um solo bonito (e elegante) é capaz de levar as garotas para o camarim. Um fritador, esbanjando seus ligados e arpejos, não obstante, deixaria apenas os marmanjos empolgados.

Deixando o momento "técnica Vs. feeling" de lado, aproveito para contar a história da Stagg R 500 GBK. Para isso, retorno a meados de 2008 quando, após ter trocado um baixo Condor BC 5000 por um violão flat Fox, estava à procura da minha segunda guitarra. Até que o violão era bem bacana, mas não me atendia no momento (creio que se deva ao fato de ter passado tempo demais com violões antes da primeira guitarra). Logo, não demorou para que eu encontrasse uma boa oportunidade de nova troca:


As especificações do site:
 - Pickups: 2 x Humbucker
- Controls: 1 x Volume + 1 x Tone
- Pickup Selector Switch: 3-way
- Top: Low Archtop
- Body: Solid Alder
- Neck: Hard Maple set neck, 636 mm, (25 in.)
- Fingerboard: Rosewood, 24 frets
- Bridge: Classic "S" Style Tremolo
- Machine heads: Diecast, nickel
- Color: Gothic Black

Na época, eu sabia que o Alder era uma boa madeira e que o braço colado traria vantagens em relação ao sustain. O que chamava atenção mesmo, a despeito do hardware escuro (gótico), era a guitarra lembrar (uma cópia do modelo, melhor dizendo) as PRS. Na pior das hipóteses, um ou outro upgrade salvaria o investimento.


Tendo a guitarra nas mãos achei o acabamento bem feito (nada demais pelo preço), o hardware honesto, e as madeiras com boa sonoridade. Braço gordo (nunca toquei numa PRS pra saber, mas imagino que as "Les Paul style" sejam todas assim) e ação das cordas um pouco alta. A única grande resalva ficava em torno dos captadores: timbre escuro/embolado, principalmente devido a posição do captador do braço.

Após alguns meses no limbo, resolvi iniciar os upgrades. Inicialmente troquei os imãs cerâmicos originais dos captadores por AlNiCo 2 (braço) e AlNiCo 5 (ponte), ambos da Malagoli. A mudança sonora foi considerável: um agudo cremoso e articulado foi adicionado ao bridge pickup. Além disso, o som do captador do braço ficou menos abafado e embolado.

Pensando no aproveitamento do sustain, encomendei um bloco gordo da Guitar Fetish para o tremolo. A opção do material de aço se deveu ao preço. Por fim, pensando na estética, troquei os pickguards e chave seletora por versões cremes e knobs dourados, atingindo um bonito visual café-com-creme.


Cheguei a comprar um captador P90 da Kent Armstrong para colocá-lo no braço. A ideia era "abrir" mais o timbre nessa ingrata posição de uma guitarra de 24 trastes. Semanas depois, desisti do plano visto que a cavidade do humbucker era visivilmente maior. Assim, inverti o posicionamento do captador AlNico II que lá estava na esperança de melhorar alguma coisa a clareza das notas. Conclusão: não senti grandes diferenças.

Finalizando, pus cordas .11 no lugar das .10 que costumava usar. Assim, consegui melhora da ação - imagino que a tensão maior acomodou o braço de alguma forma que contribuiu pra isso - embora esta ainda esteja um pouco alta nas última casas (se o braço fosse parafusado já teria colocado um calço e nem mexeria no tensor).

Breve um video bacana!!! 

*ADENDO 12/11/2012:

 Após tentar inverter os imãs dos captadores (AlNiCo 2 na ponte e AlNiCo 5 no braço) sem sucesso em ambos, não resisti a curiosidade de instalar o P90 no braço.

Estava cansado dos timbres embolados do Humbucker depois do vigésimo quarto traste. Assim, meio que no tudo ou nada, aumentei a cavidade que havia e soldei o captador no circuito. Estando o serviço um pouco (muito) grosseiro, com o tempo eu penso num melhor acabamento paro o trabalho. O importante é que o resultado sonoro foi excelente. Digo isso tanto pela definição e brilho que eu não tinha quanto pelo timbre idiossincrático que P90 proporcionam.

Agora posso dizer também que o captador da ponte (novamente com AlNiCo 5) não tem um timbre tão ruim assim. Tudo bem que ele ainda está magrinho, porém até combina com o P90.  Por fim, sigo aberto a possibilidade de um novo captador para a posição. Penso no estilo dos "PAF", mas com um pouquinho mais de corpo e menos agudos.

Fotos!!!

  
































*ADENDO 15/02/2013:

Finalizei a saga do captador da ponte da seguinte forma: comprei um bom captador cerâmico de baixo ganho e substitui o imã pelo de AlNiCo 5. Por fim, consegui um som gordo e crocante bem próximosdaquilo que procurava e talvez perto do máximo que a guitarra pode oferecer.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O Caminho

Há quem confie no destino. Eu, no entanto, acredito que a vida é feita de escolhas. E por falar na minha, ultimamente tempo é o que não tem me sobrado nela.

Volta e meia, não obstante, estou por aqui trazendo o relato dos acontecimentos musicais do cotidiano de quem vos escreve. Assim, embalado por timbres gordos e reverberados, além de cheios de tremolos e vibratos, retorno ao Blog. Nada melhor, nos últimos dias, que The Black Keys, para reforçar o caráter old school rock daqui.

Certa vez, não me lembro detalhes, perguntaram o que seria o tal timbre vintage. E eu sei lá! Prefiro destacar uma lista de discos e shows para tornar o processo mais compreensível. Nisso, partindo do princípio que aqui está um orfão do The White Stripes, rapidamente se familiriazar com o trabalho do guitarrista Dan Auerbach e do baterista Patrick Carney não é mera formalidade do destino.

A dupla prega a imagem surrada do garage rock, do blues rock, do alternative rock, do indie rock e de qualquer outro título que os editores do Wikipédia quiserem cunhar. Realmente há muito de Jimi Hendrix ali, seja na escolha dos amplificadores ou no abuso dos pedais de fuzz. A estética sonora me lembra também The Black Crowes, sendo estes um pouco mais pesados e "overdrives" que aqueles.

Para completar a fórmula do sucesso (qualidade musical + apelo nas mídias), recentemente vimos um Johnny Depp não menos empolgado acompanhando The Black Keys no MTV Movie Awards. Creio que não preciso dizer mais nada...

Aproveitando o insejo, o Projeto Telestrato ainda está de pé! Confira aqui as fotos atualizadas

Amanhã, dando tudo certo, levarei a guitarra para o Luthier finalmente usinar as cavidades. Por fim, restam apenas a compra das peça referentes ao control plate (potenciômetros, chave, jack e knobs) além do acabamento final e regulagem.

Estou ansioso por muitos sons dessa ruivinha!!!

Breve retorno com as notícias sobre meu pedalboard.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Hallelujah! 5000 mil visitas

Criado pelo ócio, motivado pela curiosidade e, sobretudo, mantido pela perseverança, o Blog chega hoje, nessa data especial, a marca de 5000 mil visitas. Tenham certeza de que quem vos escreve está muito feliz pelo apoio recebido.

De janeiro de 2011 para cá, muita coisa mudou no meu pedalboard e nas minhas guitarras. Desde a última postagem, por exemplo, um Flanger entrou no set trazendo sons muito malucos (e úteis) ao repertório. O projeto Telestrato, embora meio parado, está bem encaminhado para os próximos dias. Assim, não vejo a hora de por meu lado Jeff Buckley de fora e mandar um rock alternativo na guitarrinha nova homemade.

Havendo mais tempo nos próximos dias, espero, aproveitando que baixei o Reaper para o computador, gravar mais vídeos demonstrando as regulagens dos meus pedais. E, logo que a Telestrato ficar pronta, posto um vídeo especial com a construção da guitarra. Além disso, aproveitarei para homenagear à todos que contribuíram com o projeto.

Finalizando, agradeço à todos que visitaram o Blog. Saibam que a força de vocês sempre foi fundamental para o meu crescimento na música.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Teu cenário é uma beleza

Enfim chegou o mais aguardado dos dias. O Brasil se veste de gala, de mulher, de folião e de pierrot. Nas ruas, ladeiras e avenidas, uma só alegria - fugaz - une as diversas gentes, compondo, uníssono, a canção do brasileiro.

Não que eu curta o carnaval - no sentido bloco de rua e cerveja na barriga - para escrever com propriedade. A festa popular, entretanto, sempre me atraiu, seja como expectador de televisão ou testemunha ocular da farra alheia.

De fato, coleciono na memória desfiles apoteóticos e samba-enredos primorosos. Nem sei de quem e nem quando comecei a acompanhar isso tudo. Deve ser coisa da família. De qualquer forma, volta e meia recordo, suspiroso, de um ou outro momento de alegria.

Assim, seja por destino ou insônia, liguei a TV exatamente no desfile da Estação Primeira. Não creio que, para quem acompanha de longe, o apreço pela Mangueira seja virtude. Aquilo tudo, afinal, é lindo como um todo. Pode ser que Chico Buarque e Tom Jobim serviram, também, para alimentar essa devoção.

Emoções à parte, o que foi apresentado hoje pela famigerada escola de samba beira o intocável. Não que eu tenho enorme experiência em carnavais e detalhes técnicos de desfile, entretanto o misto de surpresa e aprovação foi evidente (e juro que a sensação veio antes da exaltação - esperada - dos apresentadores). Assim, as longas paradas de bateria enalteciam o grito do povo e valorizavam a harmonia do samba.

Eu cresci acreditando estar num tempo em que nada de importante acontecia. Com o tempo, fui percebendo que algumas boas imagens ficarão sim para posteridade. E está sensação me faz feliz.

Talvez o maior desafio da vida seja entender as conquistas e se realizar com os feitos, embora ainda haja outros mais a serem alcançados.

Por fim, amanhã é quarta feira de cinzas, nosso país amanhecerá o mesmo de semana passada e nossas vidas voltarão ao normal.

E daí?

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Todo mundo constrói uma Telecaster

É fevereiro. O carnaval se prepara. O coração bate forte no samba, no axé, na batucada, no frevó. Na fé que quiser. Atrás do trio, do bloco, do carro alegórico: seja atrás de quem for.

Misturando o rock com o carnaval - passando ou não pela nova propaganda Skol - lembro de Sympathy for the Devil, dos Rolling Stones. Segundo algumas fontes, a canção seria inspirada em uma visita de Jagger a um centro de candomblé na Bahia. Mas foi Keith Richards quem sugeriu o ritmo, que lembra um samba. 

E, antes que eu desista do post e corra atrás do bloco na rua, atualizo o samba-enredo do Projeto Telecaster 2012. Assim, quem sabe até o carnaval, a guitarrinha não esteja pronta.

Vamos ao que interessa! Encomendei uma ponte (com seis saddles) no mesmo vendendor que me passou o captador com barra cerâmica. Como "pedido de desculpas", está vindo junto um neck plate. Tomara que não haja surpresas dessa vez.

Ontem, após vários dias de ansiedade, finalmente pus as mãos no corpo de cedro (confira aqui tópico no FCC com fotos). O trabalho do marceneiro ficou até bem feito, restando apenas algumas mãos de lixa 600, além de um ou outro detalhe no shape.

Por fim, consegui um luthier que cobrasse R$80 para confeccionar as cavidades dos captadores, do control plate e o tróculo. O serviço sendo bem feito, creio que o preço esteja justo.

Além disso, pensei num "chá de telecaster" para dividir com os amigos a compra das peças restantes.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Aniversário do Blog: a música no 30 de janeiro


Eventos históricos

1972 – O exército britânico mata 13 católicos em Londonderry, na Irlanda do Norte, durante manifestação por direitos civis, no episódio conhecido como Domingo Sangrento (Bloody Sunday).
 

Eventos culturais e de média/mídia
 
1969 – Última apresentação pública dos Beatles antes de se separarem.


Nascimentos

1912Herivelto Martins, compositor e sambista brasileiro (m. 1992).
1919Waldir Calmon, pianista brasileiro (m. 1982)
1942Marty Balin, músico norte-americano.
1945Steve Marriott, cantor, compositor e guitarrista inglês (m. 1991)
1951Phil Collins, músico inglês, ex-baterista e vocalista das bandas Brand X e Genesis.
1964Marcel Jacob, músico sueco (m. 2009).
1965 Marcelo Bonfá, músico brasileiro, ex-integrante da banda Legião Urbana.
1968 - Trevor Dunn, músico norte-americano.
1973 - Eiza González, atriz e cantora mexicana.
 
 
Mortes

1963Francis Poulenc, compositor francês (n. 1899)
1989 - Carlos Alexandre, cantor e compositor brasileiro (n. 1957).

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Obrigado aos que visitaram, comentaram, curtiram e divulgaram o Blog. Saibam que estes meses foram de imenso aprendizado musical graças a força de vocês.

O ano de 2012 será de pouco tempo extra, não obstante a vontade é de continuar sempre por aqui. Afinal, eu ainda não encontrei o verdadeiro timbre vintage.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Fé Cega

O ano "de verdade" começou bem cedo desta vez. O ócio que, há 12 meses atrás, motivou  também a criação deste Blog já não impera tanto. Assim, vejo o tempo passar mais depressa e as realizações acontecem até mesmo antes do previsto.

Seguindo o projeto Telestrato, recebi esse semana o captador da ponte. Anunciado como um bridge pickup de Telecaster proveniente de uma tal "Dickson", o bichinho chegou aqui com o famigerado ímã cerâmico em barra. Logo, aproveitando o espírito shuffle do projeto, me veio a ideia (até mesmo porque assim seria mais fácil) de substituir o ímã cerâmico por um AlNiCo em barra (usado dentro dos Humbuckers). A sonoridade, entretanto, segundo Paulo May do Blog Louco Por Guitarra, remeteria aos Humbucker splitados. Certo disso ou não, aposto que arriscarei.

O braço encomendado está aqui também. Veio muito bem embalado e demorou pouco tempo. Aproveito para destacar que a negociação (o cara é um Luthier famoso que tinha uma Squier sobrando) foi tranquila e recomendo para quem quiser. Além disso, estou seriamente desconfiado que ele deu uma mão de verniz no braço, visto que não há adesivo da marca no headstock e o brilho reluz uniformemente.

O fato mais curioso, contudo, foi a resposta dos orçamentos, efetuados por emails, dos luthier para a confecação do tróculo, das cavidades dos captadores, do control plate e do jack: entre R$230-R$250. Não que eu ache isso um absurdo, todavia há corpos de Telecaster confecionados em cedro (madeira que disponho) até mais baratos no Mercado Livre. Sem contar que a vantagem seria não gastar muita grana com o corpo...

Todo esse processo tem tomado meu tempo extra de forma a, pelo menos, não me preocupar com pedais de efeito. Mas quero frizar que a configuração que atualmente disponho me atende perfeitamente, faltando apenas um Phaser que posso viver sem ele por algum tempo.

Finalizando, parafraseando o mesmo Paulo May, só saberemos a sonoridade dessa Telestrato quando a mesma estiver finalizada. Enquanto isso, embora no escuro, tenho fé que, no mínimo, será um excelente aprendizado.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Entrando em 2012

Após mais de três dias, consegui ter acesso ao blogger. Com isso, o post de final de ano virou de "novo ano". Por fim, o que vale é a esperança de que 2012 seja tão produtivo quanto o ano findado.

Até meados de dezembro, estava na angústia por um Phaser novo. Após me desfazer dos que eu tinha (VP 1 Behringer e Giannini Axcess) meu som ficou sem modulação pela primeira vez. Como faria aquelas bases malucas psicodélicas? 

Encerrei 2011 com os seguintes itens no pedalboard:

- Dunlop Cry Baby Original

- Giannini Axcess Fuzz (breve maiores comentários a respeito dessa jóia)

- Boss Blues Drive

- Digitech Bad Monkey

- Giannini Axcess Overdrive

- Danelectro Dan Echo (ô pedalzinho bom, viu! Eu sabia que precisava de um delay com sonoridade vintage. Logo posto maiores detalhes também).

Acontece que, tomado pela inconstância de sempre, decidi tirar da gaveta o projeto da minha guitarra home made. A ideia, na verdade tanto pelo apelo estético quanto pela facilidade do shape do corpo, era uma Telecaster. Garimpei na internet várias informações valiosas e plantas providenciais.

Em poucos dias eu já tinha encomendado um braço com nut, tarraxas e abaixadores de cordas (de strato, mas acho que vai ficar bem bacana a mistura). E assim foi se embora a grana pra encomendar um Phaser 90 da EFX...

É importante destacar que o fator determinante foi a clara possibilidade de encontrar madeira para o corpo sem precisar gastar muito (nada até agora). Finalmente, tudo dando certo, uma peça de cedro bem seca e de bom tamanho deve estar chegando por esses dias. Talvez o som não seja "daquela" telecaster vintage, mas o processo tem sido bastante divertido. Além disso, nas madereiras daqui quase não se encontra madeiras adequadas. Consegui um lugar que vende Caxeta e Freijó, mas somente com 20 cm de largura (o ideal seria 40 cm).

Os desafios agora são o corte do contorno (uma boa marcenaria com serra fita deve resolver) e as cavidades dos captadores e o tróculo (já encaminhei orçamento para Luthiers). Caso o corpo fosse de duas camadas, o top seria da espessura do tróculo. Assim, eu mesmo faria as cavidades na Dremel (já  que não haveria como errar a profundidade), uniria as duas partes com cola adequada e grampos (sargento). Não obstante, parece que o destino preferiu que o corpo fosse one-piece.

No acabamento do corpo: seladora e cera. É claro que eu sei que o cedro não tem uma figuração lá essas coisas, mas assim é mais simples, barato e eficiente. Além de eu ser apaixonado por guitarras naturais.

Aproveitando, eu já estava de olho nos P90 soapbar da Kent Armstrong para o braço. A captação da ponte será um GFS que consegui numa negociação. As outras peças virão as poucos, sem pressa.

Resumindo: todo mundo na internet montou sua Telecaster. Agora chegou minha vez!

Aproveito e agradeço à todos que sempre acompanharam o blog. São mais de 3 mil visitas em quase um ano. Desejo tudo de melhor para vocês em 2012, e que os ventos da paz, de outras épocas, voltem a soprar no nosso som e em nossas vidas